Devoção ao Senhor Bom Jesus
A imagem de Jesus apresentado por Pilatos com o manto vermelho, a coroa de espinhos e as mãos amarradas tornou-se a representação mais comum do Senhor Bom Jesus, sendo invocado sob as mais diversas denominações: dos Aflitos, dos Martírios, dos Passos. Essa imagem faz referência às descrições de Jesus no momento de sua Paixão contidas nos evangelhos de Mateus (27,26-31), Marcos (15,15-20) e João (19,1-5).
A devoção ao Bom Jesus é centrada no mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo, destacando o drama do Calvário. Quatro eventos são enfocados pelos devotos: a Coroa de espinhos e a Flagelação de Jesus, Jesus carregando a Cruz, a Crucificação de Jesus e, por fim, seu sepultamento.
Referências à devoção ao Senhor Bom Jesus surgem a partir do século X, em Portugal, próximo à Cidade do Porto, com o título de Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Já no Brasil, a devoção foi trazida pelos portugueses, que iniciavam o processo de colonização nas Américas em meados do século XVII.
Como devotos do Senhor Bom Jesus, os colonos portugueses preocuparam-se desde o início em garantir a sua proteção contra as adversidades da vida numa terra estranha: perigos de viagens, inclemências do clima, ataques de animais ferozes, doenças e pestes, etc. Para muitos deles, a nova terra era um verdadeiro lugar de sofrimento e exílio. Assim sendo, nada melhor do que ter como amparo e proteção o Bom Jesus.
No ano de 1647, uma embarcação portuguesa trazia uma imagem do Senhor Bom Jesus. Ao passar pela região costeira do Estado de Pernambuco, foi atacada por holandeses que disputavam parte do território do nordeste com portugueses e franceses. Temendo um ataque, o comandante colocou a imagem numa caixa junto com algumas jarras de azeite e lançou-os ao mar.
A caixa com a imagem, tomou direção ao sul pela ação das correntes marítimas e foi encontrada às margens da praia do Una, litoral norte de São Paulo. Dois índios avistaram a caixa, abriram-na e depararam-se com os potes de azeite e a imagem do Senhor Bom Jesus. A imagem foi levada para Vila de Iguape, onde permaneceu por dois séculos e, posteriormente, transferida em 1856 para a então inaugurada Igreja Matriz, atual Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape.
A devoção se espalhou pelo país e, hoje, mais de 200 igrejas são titulares do Senhor Bom Jesus, dentre as quais a basílica do Bom Jesus de Tremembé (São Paulo), os santuários do Bom Jesus da Lapa (Bahia) e a do Bom Jesus de Pirapora (São Paulo) e, a nossa Paróquia Bom Jesus da Penha.
Criada como comunidade pertencente à Paróquia Santa Cecília, a Bom Jesus da Penha tornou-se paróquia por intermédio do Monsenhor José Maria Alves da Rocha, então diretor do Colégio Nossa Senhora da Penha. Como o terreno da nova paróquia seria doado pela Irmandade Nossa Senhora da Penha, ficou decidido que o padroeiro seria o filho de Maria, o Senhor Bom Jesus.
A fundação da igreja matriz da Penha aconteceu em 1938 em meio a procissão conduzida pelos alunos do colégio Nossa Senhora da Penha que cantavam o Hino do Bom Jesus, composto pelo próprio Monsenhor. A congregação dos padres do Sagrado Coração de Jesus ficou responsável pela paróquia, tendo como primeiro pároco o padre Germano Brand.
Diante do crescimento do número de fiéis, a pequena casa de madeira deu lugar a um novo templo. No dia 23 de setembro de 1945 houve a benção da pedra fundamental, evento que contou com a presença do presidente Getúlio Vargas, além de autoridades civis e eclesiásticas. A “casa dos alemães”, como era chamada pelos moradores devido ao fato de os primeiros padres serem alemães, passou a ser usada como salão paroquial.
Toda a espiritualidade da devoção ao Bom Jesus mostra que Cristo não é apenas um sofredor da paixão, mas através dela manifesta a sua compaixão pelo povo. Para o cristão, a compaixão de Cristo se revela na aceitação do sofrimento pessoal, unido à paixão de Cristo, e solidariedade para os outros, mediante o compadecimento de seus sofrimentos. A fim de estimular esses sentimentos de compaixão, o Bom Jesus está sempre ao lado do povo.

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